
Nesta nova fase, é como se a trupe chegasse no universo urbano com mais profundidade , como o cotidiano dos moradores de rua citados na canção “Cidadão de Papelão” ou a problemática da mecanização do trabalho, citada no “Mérito e o Monstro” entre várias outras abordagens. Indo mais além, há um debate sutil e, por vias opostas, mordaz, sobre o amontoado de informações que absorvemos, sem perceber, assistindo aos programas de TV. Essas transformações não poderiam, no entanto, encobrir o universo lúdico e fantasioso da trupe, mas sim, acrescentar uma pitada de realismo no conteúdo em geral, incorporando o lema de endurecer sem jamais perder a ternura.
É importante ressaltar que, após o assédio para que o coletivo finalmente se integrasse ao mainstream musical, assumindo uma grande gravadora, uma grande assessoria de imprensa, uma grande produtora etc, o Teatro Mágico preferiu ser conservador na inovação que trouxe ao mercado: organizar e fazer as coisas ao lado do seu grande incentivador, patrocinador e produtor: o público. Logo, o Cd novamente será vendido a preços populares e a distribuição das músicas continuará gratuita e livre pela Internet, com a diferença que desta vez, houve um investimento grande na produção dos fonogramas, comprovando assim, que mesmo no formato independente, é possível se fazer algo de qualidade e acessível.
[Eu não sou o Chico, mas quero tentar]
Eu não vou louvar valores,
Dos nossos amores as dores eu não vou contar,
O peito trajado de doresA boca tragando rancores
E a dúvida não será onde chegar.
Brincando de ser e estar apenas,
Eu não sou Chico mas quero tentar
Mais cenas, dezenas, centenas, sentadas, safadas, saradas, sanadas, sapatas, perdidas, famintas, gigantes, pequenas
Eu não vou levar rancores
Dos nossos amores as cores eu não vou pintar,
O peito trajado de flores
A boca tragando sabores
E a dúvida não será onde chegar.
Brincando de ser e estar apenas,
Eu não sou Chico mas quero tentar
Mais cenas, dezenas, centenas, sentadas, safadas, saradas, sanadas, sapatas, perdidas, famintas, gigantes, pequenas
As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena, ah...
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena, ah...
Que pena, eh, que pena
Vou, vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza,
Gentileza gera gentileza....
Vou, vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza,
Gentileza gera gentileza....
A herança da escola dos dias desde ave Marias,
presságios e preces, ao jeito primeiro e primário de abrir as gavetas
De achar nova nomenclatura, de achar o coelho na lua de reescrever tuas letras,
de se esconder entre linhas
De se apagar entre nós.
Se apagar entre nós, se apagar entre nós
Se apagar, se apagar....
Se apagar...pa..pa...
[Xanéu Nº 5 (participação de Zeca Baleiro, outro fera da musica)]
A minha tv não se conteve
Atrevida passou a ter vida
Olhando pra mim.
Assistindo a todos os meus segredos, minhas parcerias, dúvidas, medos,
Minha tv não obedece.
Não quer mais passar novela,
sonha um dia em ser janela e não quer mais ficar no ar.
Não quer papo com a antena nem saber se vale a pena ver de novo tudo que já vi.
Vi.
A minha TV não se esquece nem do preço nem da prece que faço pra mesma funcionar.
Me disse que se rende a internet em suma não se submete a nada pra me informar.
Não quis mais saber de festa não pensou em ser honesta funcionando quando precisei.
A notícia que esperava consegui na madrugada num site, flick, blog, fotolog que acessei.
A minha tv tá louca, me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.
Mas eu sou facinho de marré-de-sí, se a maré subir eu vou me levantar.
Não quero saber se é a cabo nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi,
triste o fim do seriado, um bocado magoado sem saber o que será de mim.
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha lingua.(x4)
(She don't speak my tongue)
Não.
"Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano, não aguento mais, é foda! "
Manda bala Fernando...
Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz.
A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz.
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio.
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento, na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto.
Falou e disse...
Num passado remoto perdi meu controle...
Num passado remoto perdi meu controle...
Num passado remoto...
Era vida em preto e branco,
quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz,
finalmente se acabando feito longa,
feito curta que termina com final feliz..
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha lingua.
Ela não SAP quem eu sou,
(Sabe nada...)
Ela não fala a minha lingua.
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha lingua.
(Quem te viu, pay-per-view.)
Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha lingua.
Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu.(x2)
A minha tv tá louca.
http://www.oteatromagico.mus.br/novo/eventos/view/32 (Show do Teatro em Franca-S.P)
Chega um dia em nossa vida