quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

(Carcharodon carcharias)


O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é uma espécie de tubarão lamniforme, sendo o peixe predador de maiores dimensões existente na atualidade. Um tubarão-branco pode atingir 7,5 metros de comprimento e pesar até 2,5 toneladas. Esta espécie vive nas águas costeiras de todos os oceanos, desde que haja populações adequadas das suas presas, em particular pinípedes. Esta espécie é a única que sobrevive, na atualidade, do gênero carcharodon.

Com um complexo sistema de sensores em sua parte frontal – conhecidos como ampolas de Lorenzini – mesmo a 1 quilômetro de distância o tubarão pode detectar campos elétricos fracos, com cargas equivalentes a 1 volt, o que corresponde à batida do coração de um peixe. O olfato apurado permite perceber manchas de sangue a 3 km. Numa única investida, pode abocanhar 14 quilos de carne de uma só vez.

É uma ‘máquina’ de caça determinada, com muita fome e paladar eclético: come tanto carne de baleias e golfinhos como de tartarugas, leões e lobos marinhos, focas, polvos, raias e outros peixes, incluindo até mesmo pequenos tubarões, não raro filhotes da própria espécie. Pelo fato de também se alimentar de animais mortos, o tubarão-branco tem uma importante função na limpeza dos oceanos, ‘trabalho’ equivalente ao dos urubus e abutres em terra.
Carcharodon carcharias é chamado de branco pela cor predominante na parte inferior de seu corpo. Quando se olha um deles de baixo para cima, a claridade da luz ajuda a ‘esconder’ o corpanzil. Quando o observador está na superfície, olhando de cima para baixo, o dorso acinzentado também se confunde com o mar e serve como disfarce para o predador. Já para o tubarão, a visão conta muito na hora de buscar a presa. De acordo com pesquisas recentes, os olhos desse animal possuem uma membrana semelhante a uma tela refletora. Isso melhora sua visão, principalmente durante a noite.

Como não tem bexiga natatória, o tubarão-branco controla a passagem de água pela boca com o abrir e fechar das brânquias. Isso explica a boca sempre semi-aberta, exibindo a arrepiante fileira de dentes. Sua resistência à profundidade é impressionante: embora prefira se manter perto da superfície, pode mergulhar a mais de mil metros, conforme se atestou em um estudo realizado entre a Baja Califórnia (México) e o Havaí (EUA)!
O organismo do tubarão-branco ainda é adaptado para resistir às baixas temperaturas dos mares da África do Sul, sujeitos à corrente que sai direto da Antártica e é, naturalmente, gelada. Em geral, a espécie prefere águas temperadas, entre 12º C e 24º C. Seu sistema interno de reciclagem de calor permite manter uma temperatura superior à da registrada na água, em até 10º C. O sangue quente acelera o metabolismo, aumenta sua força e sua resistência.

Na linha evolutiva, calcula-se que a espécie tenha cerca de 60 milhões de anos e passou por poucas mudanças em relação ao ancestral mais provável Isurus rastalis. Já foram descritas várias espécies do gênero Carcharodon, mas estão todas extintas. O grande branco é a única que ainda sobrevive.
Encontramos exemplares com 4 metros de comprimento, no Sul da África, mas existem maiores. Na literatura, consta o relato de um tubarão-branco capturado em Port Fairy, na Austrália, com mais de 10 metros! Trata-se, no entanto, de um registro muito antigo, de 1870, sem fotos ou registro técnico. Outros dois recordes mundiais são reconhecidos, ambos de fêmeas. A primeira tinha 6,4 metros e foi pescada em Cuba, em 1945, e a segunda, de 7,14 metros, em Malta, em 1987. Esta última teria entre 25 e 30 anos, idade estimada como limite para a espécie, na natureza. Em geral, as capturas dos maiores exemplares são sempre de fêmeas, pois elas crescem mais do que os machos.

Desde 2003, a Lista Vermelha elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) considera o tubarão-branco ameaçado de extinção, na categoria vulnerável. Calcula-se que a população mundial total seja de apenas 10 mil indivíduos. Conforme outro relatório publicado pela IUCN no início de novembro, a ameaça de extinção não se limita ao tubarão-branco: várias espécies de tubarões e raias se encontram ameaçadas pela pesca industrial e pela prática conhecida como finning: captura, retirada das barbatanas e devolução dos animais ao mar, para morrer. O mercado de barbatanas de tubarão é altamente lucrativo e atende à demanda de restaurantes orientais.
Do total de espécies conhecidas no mundo, 18% estão ameaçadas de extinção. Os riscos são mais sérios no Atlântico Norte, onde 26% dos tubarões e raias estão em risco: 7% classificados como criticamente ameaçados; 7% como ameaçados e 12% como vulneráveis. E os números podem ser maiores, pois para 27% das espécies não há informação suficiente para uma classificação.

Como o grande branco, “a maioria dos tubarões são excepcionalmente vulneráveis à pesca excessiva devido à tendência de crescer lentamente, atingir a maturidade muito tarde e produzir poucos filhotes”, comenta Claudine Gibson, principal autora do relatório da IUCN e integrante do Grupo de Especialistas em Tubarões da organização, composto por pesquisadores dos mais diversos países, que trabalham com dados sobre aproximadamente mil espécies de tubarões e raias.

Segundo estudos feitos no Canadá, nos últimos 15 anos a população mundial de tubarões-brancos sofreu um declínio de quase 80%, devido à pesca predatória. A África do Sul foi o primeiro país a elaborar leis de proteção, há 17 anos. A legislação foi uma medida de emergência: com a população de tubarões em queda, as populações de suas principais presas – como lobos-marinhos e polvos – começaram a crescer demais. Ainda que não exista uma regulamentação mundial sobre a pesca do tubarão-branco, países como Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia já proíbem a atividade.

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